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Vanessa Matsuhashi
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1 -  A Descoberta  - 

 

M

inhas férias de julho estavam há tempo de terminarem e eu ainda não havia feito nada de muito interessante.

 

 

Dia após dia o tédio tomava conta de mim e... – Toc – Toc –

- Já vou! – Ah! Quem será a pessoa que me libertará desse tédio?

-Olá Jane!

- Ah, olá Josh! – Era tudo o que eu precisava o melhor amigo para minha distração!

- Ei, estive pensando, suas férias não parecem estar indo como desejava, não?

- Ah, adivinhou!

- Ah, então... É... – Ele pigarreou – meus pais me deram duas passagens para... Bem eu não sei bem o nome, mas, é algo como Destiny...

- Destiny? – Meu Deus que lugar é esse? – Onde fica?

- Hum, bem, não tem um lugar específico... mas acalme-se, vou explicar como é...

Será isso uma piada?

Ou eu estou sonhando?

- Vá em frente, me conte seu lugar perfeito – eu disse num tom irônico, mas ele pareceu não perceber. Continuou com a mesma empolgação.

- É... é... Por favor, prometa que não irá rir.

- Está bem, acredito em você Josh – eu não sei bem do que se tratava isso, mas Josh nunca mentiu para mim. Será que eu estava tão entediada para ele chegar a esse ponto? Ou estava tentando me convencer de que era verdade? – continue.

- Bem Jan, é um lugar onde se pode conseguir o que quiser, pelo tempo que quiser. É como se sua mente a levasse onde desejar. Por exemplo, se você se imaginar em um campo, onde pudesse se afastar de tudo e todo, você estará lá em um segundo.

“Você só tem que pegar as passagens e bem vinda liberdade! Ah sim, só uma coisa, o prazo até a volta é de 24 horas, se ultrapassar esse tempo, você ficará presa no mundo da fantasia por... 5 anos... e, bem, só há como ir acompanhado, mas não pode ser qualquer companhia, tem que ser alguém que realmente goste, alguém especial, alguém como você.

- Puxa Josh, perfeito! Mas, como seus pais lhe deram isso?

- Bom, eles não sabem o que é... Quero dizer, bem, vou lhe mostrar.

Ele abriu a bolsa e tirou um livro chamado Destiny, your dreams reality.

- Ah. Um livro. Entendi. A gente lê e viaja...

- Não Jane. É sério, esse mundo existe.

- Me empresta seu notebook? Vou lhe mostrar.

Ah legal, ele vai me mostrar o mundo paranormal pela internet. Rá!

- Claro

Ele pegou-o e colocou no site de busca Destiny, your dreams reality.

- Ah, Josh?

- Sim?

- Quem é o autor?

Ele permaneceu em silêncio. Olhei a tela do computador e estava lá.

 

 

 

Destiny, your dreams reality

Autores:_____________     Insira seu nome e de seu acompanhante 

 

 

Meu Deus era real!

          - Está vendo, é só nós nos registrarmos e podemos ir quando quiser! Não é magnífico?

- Claro – eu disse isso baixo de mais, quase sussurrando. Minha voz falhou.

- Ah tudo bem. Olhe Jane, preciso ir. Amanhã está bem para você? Estará livre?

- É... sim – eu não poderia mentir, ele sabia melhor que eu que eu estaria livre.

- Ok. Tchau Jane! Até amanhã!

- Tchau, Josh.

Eu não tinha muita certeza de que iria dar certo. Mas esse não era o problema. Passar um dia inteiro, só eu e ele, isso parecia estranho. Eu não entendo o porquê de tanta frustração. Eu costumava passar todas as tardes sempre com ele. Mas desta vez parecia diferente. Havia algo estranho comigo.

Eram 11 horas da noite, e eu me sentia com vontade de chorar, mas ao mesmo tempo de sorrir. Me sentia fora de mim.

Eu estaria paranóica? Isso não parecia ser normal.

Eu iria pirar, aos 15 anos?

Não.

Não deixaria isso acontecer. Eu teria de pensar em outra coisa por um instante.

Peguei o telefone.

- Alô – Era Ele, reconheci pela voz rouca e tranqüila.

- Oi Josh! É a Jane.

- Ah, oi Jane! Algum problema?

- Ah não. - o que eu iria dizer – hum... Então... Ah Josh, não consigo dormir. Poderia me distrair?

Ele riu.

- Ah, claro. Do que quer falar?

- Não sei bem. Me conte sobre o Destiny – não tinha como evitar, eu queria saber mais.

- Oh Jane. O que quer saber?

- É... Hum... – eu não sabia como dizer, ele iria me achar louca, paranóca. Falei tão rápido que parecia uma metralhadora em disparo – você está se sentindo estranho? Digo, por causa de amanha?

- Estranho? Bem, não. Estou perfeitamente normal. Há algo errado?

Esse perfeitamente normal me soou com ironia. Mas preferi deixar passar.

- Oh, não. Ah me desculpe, tenho que ir!

Antes que ele pudesse responder, desliguei o telefone.

 

 

2 -  Preparação  -

  

E

ra sexta, e eu estava meio nervosa.

  

Iria dar certo? Eu não sei

Estava tudo muito confuso em meus pensamentos. Preferi ficar deitada ao me levantar, eram 09h30min da manhã. Estava prestes a dormir novamente quando...

- Jane querida, acorda. Josh está aqui. Espera por você lá embaixo.

Josh? Aqui? 09h30min da manhã? Preciso me arrumar!

- Ah, obrigada mãe, diga a ele que desço em 30 minutos!

Meus pais sempre gostaram do Josh. Kristy dizia que eu deveria pensar em namorar ele, que ele era um bom partido, muito educado e dedicado. Coisas de mãe. Já Tylor, dizia que eu até poderia namorar, mas teria que atingir a maioridade. Coisas de pai.

Bem, demorei todos os 30 minutos só para o banho. Ele já devia estar impaciente, pois...

- Ei Jane, vai casar? – ele deu uma risada – por que essa demora toda? – perguntou ele através da porta.

É, por que essa demora toda? O que estava acontecendo comigo eu não sabia. Mas sabia que não era muito bom.

- Ah Josh, nós já vamos para lá? – perguntei repentinamente mudando de assunto, num tom incerto.

- Mais tarde, antes temos que resolver algumas coisas.

- Ah, tudo bem. Entre então.

- Você está linda!

Ele também estava. Apesar de não estar muito diferente do seu habitual, ele estava perfeito.

- Ah, obrigada. Você também não está nada mal – foi o máximo que conseguir dizer.

- Oh que isso Jane, estou como sempre.

Sim ele estava, mas... Parecia tão diferente. Tão... Maravilhoso!

- Hum, eai, quais os planos?- eu disse.

- Vá tomar seu café da manhã primeiro. Temos muito que falar.

- Está bem. 

 

- Pronto Josh, agora me diga, quais os preparativos?

- Entenda, para irmos a algum lugar, precisamos ter idéia de qual lugar seja. Vamos ser justos, como eu a convidei, você escolherá o local, certo?

E agora?!

- Ah, tudo bem...

- E então?

- Hum... Não sei...

- Tudo bem, vou lhe ajudar.  Pense em um lugar que você sempre sonhou em ir e nunca pôde.

Isso não ajudou muito, então permaneci em silêncio.

- Ok. Qual seu sonho profissional?

- Fazer o cenário de um filme!

- E se você tivesse que fazer isso agora, qual país escolheria?

- Bem, depende do filme...

- Um filme sobre sua vida.

- Rá. Minha vida? Não iria ter a menor graça.

- Mas é sua imaginação Jane. O sucesso é conseqüência – ele riu baixinho.

- Ah, bem... Assim... Canadá!

- Qual parte?

- Toronto!

- Ok. Então vamos para lá, e você irá fazer o cenário de seu filme!

- Mas... – eu ia dizer que não sou formada ainda, mas me lembrei que era minha imaginação. – Ah, tudo bem. Mas... e você o que irá fazer?

- Apenas te acompanhar... E te apreciar.

- Mas... Assim não vai ser divertido para você!

- Minha maior diversão e distração é estar ao seu lado.

Uh, essa foi forte. Meu coração parecia uma bomba-relógio. E mais uma vez aquela sensação estranha. Não consegui dizer nada.

- Então vamos?

- E meus pais?

- Ah, não te contei? Enquanto estamos lá, nosso corpo reage por impulso aqui. Sua mãe nem dará falta de você porque você estará aqui normalmente.

- Eu vou estar em dois lugares ao mesmo tempo?!

- Tecnicamente sim.

- Mas, como?

- Não tente entender, é um mistério do livro.

- Você sabe?

- Ninguém sabe. Dizem que quem entende o significado e o propósito do livro, descobre esse mistério. Mas até hoje ninguém conseguiu. Alguns mitos falam que as pessoas que conseguirem entender isso, sentiriam algo estranho em si. Mas eu acho bobagem.

- Ah...

Então era isso? Será que eu iria descobrir o propósito do livro? As idéias em minha cabeça palpitavam cada vez mais alto, e eu não entendia se quer cada uma.

- Eai, pronta?

- Sim.

- Então segure minha mão, e vamos lá!

Foi uma sensação muito estranha, era mais forte do que havia acontecendo comigo desde ontem. Era como se... Eu fizesse parte dele, e ele de mim. Como se eu não conseguisse viver mais sem ele. Será que ele também sentia isso? 

 

 

- Já pode soltar minha mão Jane.

- Ah, oh, me desculpe.

Ele riu da minha expressão de desconcertada.

- Jane você está estranha.

- Estranha? De que jeito?

- Parece com dúvida de algo... Não quer que eu passe o dia com você não é?

- NÃO! – eu disse alto demais – claro que eu quero. É o que eu... Mais quero...

Ele riu novamente. Parecia se divertir com meu novo jeito.

- Tudo bem então.

- Eai, o que vamos fazer?

- Que tal dar uma olhada à sua volta?

Eu estava tão atordoada de nervosismo que não percebi que estava no lugar de meus sonhos... Canadá

Fiquei parada por um tempo, olhando esse lugar maravilhoso.

Eu estava nas margens do lago Ontário, em frente a muitos prédios, todos muitos altos. E tinha uma árvore, com folhas douradas, com vestígios de neve derretida. Nunca pensei em estar em um lugar desses, minha imagem e da linda paisagem à minha volta se refletia no lago, como um perfeito espelho. Era tudo tão belo, tudo tão... Real.

 Eu não estava acostumada a tanta beleza. Morava no Brasil, com meus pais. Tudo bem que era a grande São Paulo, mas nada se iguala a esse lugar.

Minha família era de origem americana, mas nunca tinha ido aos EUA.

Minha casa lá ficava no centro da cidade, e eu não podia sair muito por conseqüência de pais super protetores, havia muitos roubos, e trânsito. O máximo que eu ia sozinha era no bar da esquina.

Eu não conseguia distinguir se o que eu estava vivendo era real, mas não queria sair daqui tão cedo.

- Josh, é lindo. Ei, o que é aquilo? – avistei ao longe um prédio azul-berrante.

- Oh Jane, sua empresa, o que mais poderia ser?

- Minha empresa? Mas...

- Vamos lá Jane. Vai ser divertido.

Chegando perto do local, havia um outdoor com minha foto, escrito:

 

Jane Williams – My History

 

 

          -  Ah sim, acho que você já deve ter reparado, aquele é seu filme Jane.

          -  M-meu filme?

          -  É Jane. Fantástico, não?

          -  C-claro. 

 

 

3 -  Conhecendo o novo mundo  -

 

 

N

a recepção...

  

- Olá Srta Jane, ansiosa para começar?

Não tinha idéia de quem seria aquela moça. Olhei em seu crachá: Aline, departamento de revisão.

- Oh, claro Aline, espero tudo correr bem.

- Vai sim. Vai ser um sucesso!

Eu saí andando, com o Josh para conhecer melhor o local. Era enorme.

Tinha um pátio que dividia dois prédios. Um era o meu estúdio. O outro era o estúdio para filmes Oliver McDalle.

- Oh meu Deus Josh, o estúdio do Oliver McDalle, dá pra acreditar?! O maio produtor de filmes do Canadá, aqui, bem na minha frente?

- Relaxa Jane, vai se acostumando com a fama. Você merece isso e muito mais!

Como ele conseguia ficar calmo?

- Relaxar? Com todo esse pessoal aqui, esse lugar que eu nunca vi, não da pra relaxar, não mesmo.

- Você é a maior Design de filmes do momento Jane!

- É... Há-há eu sou... – eu disse num tom confiante, que me fez deixar com um ar de superioridade. Era estranho.

Eram salas enormes e muito decoradas.

Me senti como uma agulha no palheiro.

Finalmente encontramos minha sala.

Tinha uma mesa em mármore bem no centro, acompanhada de um vaso de rosas vermelhas, e um porta-chocolate canadense!

A Janela ocupava a parece inteira, e era totalmente em vidro puro. Dava com a vista do lago Ontário. Cortinas eram ativadas com um controle remoto, e era feita de seda vermelha.

Havia dois sofás em couro branco.

O piso era espelhado. Era como se fosse a réplica do lago e eu estivesse sobre ele. Demais!

Na parede de fundo tinha um quadro. Meu autorretrato. Mas não era qualquer um, era feito em mosaico, e era perfeito.

E lá, bem na mesa de escritório, tinha o notebook dos meus sonhos. Ele tinha o teclado separado, a tela era em cristal liquido puro, e as teclas em ouro. Além de super portátil, era incrivelmente lindo.

Fiquei bons 20 minutos apreciando minha sala, sem se quer sair do lugar. Apenas olhando todos os detalhes.

- Ei Jane, acorda. Está passando mal?

- Ah... Não... Eu estou pasma com tudo isso. Como pode isso ser tudo meu?

- Vamos tomar o vinho do Canadá para comemorar!

- O Cave Spring Ice Wine? O melhor vinho canadense?

- Claro! Você merece isso e muito mais!

- Mas... Nós não temos como comprar...

- Não seja boba Jane. Aqui nesse mundo, você pode tudo.

Tudo. Seria difícil eu me acostumar com isso. 

 

 

- Bom, agora está pronta para ir ao estúdio do Oliver McDalle?

- Estou.

Na verdade eu não estava, mas eu teria que ir a qualquer hora mesmo.

Fomos caminhando pelos corredores imensos, passando por cada departamento de Design, onde todos me cumprimentavam. Era estranho. Eu estava acostumada a ser ignorada, e não conhecer muita gente. Afinal, eu não saía de casa. Mas aqui, todos me conheciam. Era diferente de qualquer experiência que eu já tivesse passado.

- Josh, esse pátio, que separa os dois prédios, estava azul quando chegamos, e agora está laranjado. Por que isso?

- Bom, eu entendo que deve ser porque ele muda conforme o tempo. Esse pátio é artificial. Você não pensou que era de verdade não é?

- Ah... Não, claro que não.

Artificial? Uau!

O estúdio do Oliver era decorado em Branco-perolado, e várias telas de LCD’s com mapas, de cada local que iria acontecer meu filme. Os moldes das cenas, os personagens feito em flash, e o rascunho da cena que eu iria criar.

Como eu sabia disso? Eu não sei. Mas era como se eu já tivesse conhecimento do assunto todo. Como se eu já fizesse parte desse mundo.

 

- Olá Srta Jane Williams. A noite passada eu fiquei projetando minhas idéias. Dê uma olhada e vê se tem que mudar algo.

Oh, me senti importante.

- Claro. Com licença.

Na tela LCD à minha frente havia muitos pontos a serem revisados. Por exemplo, a torre era muito inclinada, dava a impressão que era a torre Eiffel. Peguei os pontos e alarguei levemente, mudei o tom de cores para vidro-metálico, e coloquei um campo de tulipas ao redor para dar um destaque maior na paisagem.

- Está pronto Sr. McDalle.

- Perfeito Jane, eu admiro o modo que você vê as coisas em perfeição.

Essas palavras me fizeram corar. Nem eu tinha idéia do que estava fazendo.

- Está se saindo muito bem Jane, parabéns minha princesa. – disse Josh

Desse jeito eu ficaria mal acostumada com todos esses elogios, e, principalmente, esse último, me fez sentir aquela sensação estranha novamente. Eu me desliguei por um momento, para sentir aquelas palavras tomando conta de mim.

- E o Sr. Denver, obrigado por nos apresentar essa pessoa incrível que é a Jane. Sem você como nosso agente de produções não sei o que seria da  McDalle estúdio.

O Josh era agente de produções na McDalle Estúdio? Ele nem me contou! Na volta nós teríamos muito que conversar.

Passei parte daquela manhã conhecendo os projetos para o filme, interagindo naturalmente com os desconhecidos, tomando vinho canadense e arrumando as maquetes para o cenário.

Nunca imaginei passar uma manhã assim, com tanta vivacidade.

No meu quarto essa hora eu estaria jogando paciência no computador para passar o tempo. Era isso que eu devia estar fazendo, pois minha vida lá continuava a mesma. A vida sem graça de sempre.

Nem percebi a hora passar, e já estávamos em horário de almoço. Fomos a um restaurante muito luxuoso de lá.

 

 

 

4 -  A melhor experiência  -

 

-Ah, Josh?

- Sim?

- Se tirarmos fotos, elas poderão ser vistas no nosso mundo?

- Claro. Mas...

- Mas?

- Somente nós dois poderemos ver, porque somos os únicos que viemos pra cá.

- Ah...

- Bom Jane, enquanto você cria o seu cenário eu vou dar uma saidinha. Vou preparar algumas coisas... Para a volta. Temos 12 horas.

- Que coisas?

- Ah... Sabe como é... Quero que você tenha o melhor dia de sua vida.

Ele chegou perto de mim e me deu um abraço. Senti meu coração pulsar impulsivamente rápido. Eu queria ficar naquele abraço pra sempre. Mas sabia que não era possível. Só de saber que eu teria esse momento guardado em mim, já era uma coisa boa.

- Tudo bem. Não demore!

- Pode deixar!

E ele desapareceu ao longe.

 

 

Agora eu estava a caminho do lago Ontário, onde será o cenário de uma das partes do meu filme.

Tudo indicava que iria ser divertido, mas não seria a mesma coisa sem o Josh por perto. Ultimamente não conseguia ficar muito tempo sem ele. Nesse mundo eu parecia estar conectada a ele, como um computador depende do modem para conectar-se à internet, eu dependia dele para viver.

Tudo estava ficando cada vez mais confuso para mim. E se eu conversasse com ele sobre isso? Ele poderia me ajudar... Mas... E se eu estiver enganada e isso for só um sentimento vago? Eu também corro o risco de ele mudar os sentimentos dele em relação a mim. Mas se eu não corresse esse risco, eu nunca vou saber, ou ao menos tentar saber, o que está acontecendo comigo. É, vou conversar com ele assim que ele voltar. Estou decidida.

Fiquei um bom tempo pensando sobre isso, e nem me dei conta de que o Sr. McDalle estava me chamando.

- Jane, você está bem?

- Ah, sim... Desculpe-me Oliver, eu estava pensando em que fazer para o trabalho...

- Hmm... Entendi. Vamos começar?

- Claro 

 

Bom, para começar, eu peguei os projetos feitos pelo Oliver, dei uma olhada no roteiro que ocorrerá no momento da cena, e todas as idéias apresentadas por mim anteriormente. Era tudo muito fácil pra mim, muito empolgante.

A cena era de um casal. Eles iam ter um encontro feito pelo rapaz, ele queria tudo perfeito, para impressionar a garota. Como um clássico dos filmes patéticos de amor, mas com a emoção nos objetos.

Então, às margens do lago eu coloquei cisnes feitos em gelo, com detalhes em vermelho feito à mão, para dar um ar de romantismo. Um cavalo, também feito em gelo, tinha uma linda rosa vermelha em seu dorso.

As luzes refletiam um azul-bebê misturado com um vermelho intenso no lago, parecendo como se fossem milhares de cristais luminosos.

Os atores estavam chegando aos poucos e se preparando para a gravação das cenas.

Fui arrumando o cenário aos mínimos detalhes possíveis. Era tudo muito estranhamente lindo.  

 

Tudo pronto. Cenário, atores, falas. Tudo muito perfeito. Mas só havia uma coisa que estava me deixando preocupada. Josh ainda não havia voltado. E eu queria que ele visse e compartilhasse dessa emoção comigo. Eu estava me sentindo solitária depois de tudo pronto. Todo esse esforço estaria sendo desperdiçado, pois eu só estava aqui por causa dele... E ele não estava ao meu lado.

Já ia começar as gravações. E eu estava cada vez mais preocupada. Até que...

- Josh! – ele estava voltando e eu, agindo por impulso, corri para seus braços.

- Ei Jane! Já está tudo pronto? Nossa, nem percebi, já são 4 da tarde! Me desculpe a demora. Eu queria deixar tudo perfeito!

- Tudo o que?

- Depois da gravação você verá Jane. – ele riu sarcasticamente.

 

Começou a gravação. E o tom de romantismo estava vindo à tona. Tive vontade de segurar a mão dele. Que coisa mais besta de se pensar. Mas eu queria, era mais forte que eu.

No entanto não consegui fazer isso, e apenas apreciei a cena.

- Jane o cenário ficou perfeito! Parabéns! Você é uma artista nata!

Eu corei e não consegui dizer se quer uma palavra, então assenti.

A cena era demais pra mim. O moçinho estava preparando uma noite perfeita para os dois. Visível para se tornar inesquecível.

Isso me fez pensar quando isso poderia acontecer comigo, quando eu iria me apaixonar e me entregar cegamente aos braços de um homem. Um homem que fizesse me sentir única e especial. Um homem... Como o Josh.

O moçinho pegou a rosa que estava no cavalo e entregou à garota. Eles foram se aproximando cada vez mais, e ele sussurrando coisas de amor em seu ouvido. Coisas do tipo: quero que essa noite fique marcada, não somente em sua mente, mas em seu coração...

A moçinha não conseguiu mais reagir e se entregou intensamente ao beijo.

A cena acabou ai. E eu voltei à realidade.

 

Despedi-me do Sr. Oliver e da produção. Eu queria sair dali logo para ver qual era a surpresa do Josh. Eu estava morrendo de curiosidade.

- Bom, acho que já podemos ir. Vamos Jane?

- C-claro.

- Bem, antes tenho que fazer uma coisa em você.

- O quê?

Ele tirou do bolso uma venda preta e colocou em meus olhos.

- Agora podemos ir.

Eu não disse nada. Não queria adiar mais um segundo se quer daquela surpresa, que já estava se tornando uma tortura.

Eu percebi estar num carro, muito confortável por sinal. Era um tanto estranho não poder enxergar.

Passei o resto do trajeto calada. Não conseguia dizer nada. Não sei se era medo ou ansiedade.

- Jane, chegamos.

- Posso tirar a venda?

- Ainda não.

- Ah...

Ele pegou em minha mão para me guiar, e eu estava gelada, estava sentindo aquela sensação estranha de novo. Foi então que percebi que eu sentia essa sensação toda vez que ele me tocava.

 

 

 

5 – Noite Perfeita –

 

 

E

le passou suas mãos por meu cabelo, e soltou a venda devagar.

 

 

Como quem estava com medo da reação que eu pudesse fazer ao abrir os olhos.

Foi então que finalmente eu pude enxergar novamente.

Uau! Que lugar lindo!

Era um lugar diferente de tudo o que eu já vi na minha vida. Era um lugar que eu sempre imaginava estar quando queria passar o tempo sozinha pra refletir. Era como se fosse um lugar mágico.

Imagine um campo coberto de flores, iluminado com cores estratégicas, véus brancos nas árvores, e bem lá, no meio do nada, uma mesa em mármore preto, coberta um pano vermelho sangue feito em cetim, e uma tulipa vermelha diferentemente linda de qualquer outra, bem no centro. Tulipa era o tipo de flor que eu mais gosto, que eu me identifico, pois tem como significado, o amor verdadeiro, o eterno. Josh sempre soube que eu adoro tulipas. Prefiro pensar que ele colocou aquela na mesa, por essa razão, por eu gostar de tulipas, e não me iludir ao “amor verdadeiro” .

- Iai Jane, gostou?

Eu ainda estava sem reação, sem movimentos. Não consegui dizer nada, e ele não insistiu em minha resposta.

Eu apenas estava apreciando aquela paisagem, que insistia em me imobilizar. Eu estava distante, era como se estivesse sob efeito de exctasy.

- Josh, é... Simplesmente P-E-R-F-E-I-T-O.

De repente ficou tudo escuro, e acenderam-se as velas, em candelabros de prata. E um banquete que eu sempre via nos filmes, aquela mesa farta. Era tudo tão irreal, eu estaria sonhando?

- Ei Josh, tudo bem... Me diga, o que está havendo? Por que me trouxe aqui?

- Jane, tem uma coisa que eu preciso te contar. Escolhi esse lugar, com essas coisas, para me ajudar conseguir falar. Jane...

Eu estava com medo do resto da frase, minhas pernas bambeavam, minha garganta secou, e uma lágrima escorreu.

- Jane, o que foi? Por que está chorando?

Eu estava trêmula, talvez não quisesse saber o resto da frase, ou, o efeito que ela causaria.

- Não é nada, só tontura.

- Sente-se Jane, você trabalhou o dia todo, deve estar fraca.

-É, deve ser isso.

- Então vou continuar...

Dessa vez eu procurei me controlar.

- Eu te chamei aqui para dizer... Para dizer que eu não consigo tirar você do meu pensamento Jane, você é tudo pra mim. Não sou apenas um melhor amigo, não te vejo mais como amiga. Te vejo como namorada. Jane, você não tem idéia de como estou me sentindo ao dizer isso, mas espero que não interprete mal. Eu não estava agüentando mais.

Era essa a reação que eu tinha medo, eu desmaiei. Fiquei desacordada por pelo menos uma hora, e, quando acordei, não estava mais em Toronto, eu estava em São Paulo novamente.

- Ei, o que aconteceu?

- Calma, nós apenas voltamos.

- O que aconteceu comigo?

- Você desmaiou.

 

Eu me lembrei de tudo em apenas um flash. Como um relâmpago, tudo voltou na minha mente.

- Ah, que vergonha...

- Vergonha? Eu que deveria me envergonhar...

- Josh...

- Não Jane, não diga nada, apenas descanse.

- Josh Eu Te Amo.

 

 

O que? Eu pirei! Eu não poderia ter feito isso! E agora?

 

Então, só vi ele se aproximando de mim e, me beijar.

Era tão doce... tão gostoso!

Como era bom colocar todos aqueles sentimentos incertos pra fora, que alivio! 

 

 

 

6 - Está tudo pronto meu amor –

 

 

E

 ntão finalmente eu me dei conta, que estava apaixonada pelo meu melhor amigo. Não tinha certeza de que isso era um bom sinal, mas eu não queria que acabasse nunca! Era bom demais.

- Jane, eu queria te dar uma coisa. É importante pra mim.

- O que é?

Ele me entregou uma caixinha.

- Abra.

Eram dois colares. Yin e Yang. “os opostos se atraem”. Ele pegou o preto e me deu o branco. Levantou meus cabelos e colocou-o em mim.

- Josh... É...

- Shhh. Não fale nada.

Ele me pegou suavemente por seus braços... E me beijou novamente.

Eu não sabia o porquê, mas sempre me sentia uma imensa felicidade inexplicável dentro de mim.

- Josh, e agora? O que vamos fazer?

- Ok... pra onde quer ir agora?

- Oh não, agora é sua vez de escolher!

- Hum... Já sei!

- Então ok, para onde vamos?

- Está tudo pronto meu amor, confie em mim. Vai ser segredo.

 

 

 

7 – O tempo não pára –  

 

J

osh não queria me contar aonde iríamos dessa vez. Isso me deixava cada vez mais nervosa. Sempre o que vinha dele, me surpreendia. E, sempre pensava em mim. Parecia irreal.

Ele segurou minha mão. E disse:

- Vamos?

- Vamos.

 

Eu passei por um flash de luz e, em segundos, estava em Paris. França. E eu estava bem lá, diante da torre Eiffel.

Era noite, 23h, e as luzes estavam acesas, e a torre linda como sempre e iluminada. Era bem mais do que eu via na TV, era fantástico!

A gente tem até as 23h de amanhã para voltar pra casa. Era 1º de fevereiro de 2008.

- Temos muito que fazer hoje Jane, muitos lugares para visitar.

- Mal posso esperar para ir ao Museu do Louvre.

- Então será para lá que vamos primeiro.

- Oh Josh, você não existe!

 

Sim, ele existia, e estava bem na minha frente, e era meu namorado.

Passamos um bom tempo apreciado a Torre Eiffel. E depois fomos de partida para o Louvre.

Era tão, enorme. Aquela pirâmide em frente era magnífica! Simplesmente inexplicável para descrições, mas era linda. Passei pela porta principal, e fomos vendo obra por obra. Quando cheguei nas obras de Da Vinci, era um sonho realizado. The Mona Lisa, seus traços eram perfeitos. Eu procurei por cada parte do museu que mostrava no filme do Código da Vinci, eu estava vivendo cada cena. Era demais!

Depois que saímos do Louvre, fomos para a catedral de Notre Dame, para a Praça da Bastilha, à universidade de Sorbonne, entre muitos outros lugares.

Até que ele me levou para jantar no Four Seasons Hotel. Era muito elegante. Para cada ambiente tinha uma decoração de cada estação do ano. Era como se estivesse em cada lugar diferente do país. Não parecia um restaurante, pareciam salas de jantar.

Foi uma noite maravilhosa.

Dormimos por lá. Naquele quarto enorme, era como estar no quarto daqueles filmes.

- Está gostando Jane?

- Se eu estou gostando? Josh, é perfeito!

- Ah, pode ter certeza de que nada nesse mundo é mais perfeito que você!

 

Ficamos um tempão visitando os lugares de lá, apreciando a bela Paris.

Até que...

- Josh, que horas são?

- Não sei, deixe me ver.

- Oh, são 21h ainda. Temos algum tempo para andar.

- Está bem. Para onde vamos agora?

- Vamos à praça, depois voltamos pra casa.

- Tudo bem!

 

Fomos pra lá... E quando chegamos...

- Josh, são 3h da madrugada!

- Não, ainda são 21h.. 21h? Ainda? Mas acabamos de sair do Palácio de Versailles faz um tempão!

- Josh, seu relógio parou! E Ficamos presos aqui!

- Não, não é possível! Vamos, me dê a mão, vamos sair daqui!

 

E nada aconteceu. Estávamos presos lá, por 5 anos!

 

- Josh, e agora? O que faremos?

- Ficaremos aqui até o terminar do prazo. É o único jeito.

  

 

8 – Um momento de raiva –

 

 

E

u estava adorando o passeio até a hora de ficarmos presos. Era estranho, eu estava em choque. Pensar em passar meus aniversários, sem a minha família, sem meus amigos. Perder a experiência da minha faculdade. Perder uma vida normal.

- Ei fica calma, não é só você que vai perder tudo, eu também vou!

- Mas pra mim é pior. Você é homem e sabe se virar melhor.

- Mas eu to do seu lado, eu posso te ajudar.

- E até quando você vai me ajudar? Você vai se cansar de mim. E vai querer sair de perto, e eu vou ficar sozinha. É sempre assim Josh, sempre alguém me abandona.

- O que está acontecendo com você? Calma. Confie em mim, eu nunca vou te abandonar. Nunca vou me separar de você! Nunca entendeu!

 

Eu preferi ficar calada, para evitar mais confrontos. Ou eu iria estragar tudo.

 

- Mas Josh, nós podemos sair de Paris, e ir a outros países?

- Claro! Podemos ir aonde quisermos. Temos o dinheiro suficiente para viajar o quanto quisermos. Temos um grande depósito no banco.

- Mas onde conseguimos tudo isso?

- Com o seu trabalho em Toronto! Aquele filme que você fez vale milhões!

 - Mas eu pensei que era de mentira.

- Tudo que fazemos aqui é válido Jane.

- Mas eu pensei que era tudo invenção da nossa cabeça, sei lá, algo do tipo!

- Mais ou menos acontece assim. Ninguém sabe ainda como funciona o Destiny. Mas isso não é o que interessa. O que interessa é que temos 24 anos para aproveitar juntos.

 

 

 

9 – O destino quis assim – 

 

 

S

empre quis “fugir” de casa, e agora que estava fazendo isso, não era um bom pensamento. Mas eu não estava fugindo, porque na realidade eu estava em casa também, então não tinha com o que me preocupar. Apenas aproveitar!

- Josh, mas e se eu quiser fazer alguma faculdade aqui?

- Você pode.

- Mas se eu me formar aqui, como vai ser lá?

- Se você se formar aqui, irá fazer o mesmo lá. E quando nós voltarmos estará tudo como planejado. E se você não fizer nada aqui, irá estar formada lá do mesmo jeito, porque este é o seu destino, você quis assim.

 

Aquela explicação não me convenceu muito, e eu tirei minhas próprias conclusões. Quando eu voltar pra lá, eu vou ter tipo uma reprogramação cerebral. Tudo o que eu fiz no mundo real, vai vim na minha mente, e eu vou ter plena consciência de tudo que eu fizer todos esses anos. Como da ultima vez. Um flash.

Se eu estava certa, eu não sabia. E eu tinha mais uma dúvida...

 

- E onde vamos dormir?

- Nos hotéis.

- Mas é muito caro! E se o dinheiro não der para viver 5 anos?

- Ei, relaxa! Se for preciso, tenho muitos contatos no Canadá, e lá você é uma famosa Designer e pode voltar a qualquer hora das suas “férias”, trabalhar um pouquinho, ganhar mais uma boa grana, e continuar viajando. Esqueceu que eu sou seu empresário! Está em boas mãos.

E ele falou isso com um tom de sarcasmo, mas tudo bem, eu não queria criar uma boa esperança que ele acabava de me deixar.

- Ok. Ok. Então, vamos descansar agora, porque eu estou exausta! Já são 4h da manhã e nós parados, sem fazer nada.

- Tudo bem, vamos voltar ao hotel.

 

 

10 – O que foi isso? –

 

 

E

m casa. Eu estava em casa, quando o celular toca.

  

- Jane! Você está bem? Onde você está?

- Claro que estou!

- Está em casa, ou está bem?

- Os dois, Josh! O que aconteceu? Por que está tão preocupado?

- Porque você saiu daqui sem dar explicações!

- Sai daí? Quando?

- Não sei! Diga-me você!

- Josh o que está acontecendo? Eu não estava na sua casa!

- Como não! Você dormiu aqui e quando acordei já não estava mais. Não gostou da noite? Se não queria era só me dizer! Não precisava sair daqui sem dizer nada!

 

Ele desligou o celular. E eu me sentei na cama e comecei a pensar, a ver se me lembrava de alguma coisa da noite passada.

O pior é que não me lembrava de nada. Só sei que acordei em casa, com o celular tocando. Nada mais. Até que tive uma idéia.

- Mãe, onde eu fui ontem?

- No Josh, e eu estava mesmo querendo te perguntar, por que chegou tão cedo? Disse-me que ia ficar por lá para o almoço.

- Ah, eles iam sair, e não queria incomodar, então resolvi voltar.

- Ah...

 

Por que eu não me lembrava de nada? E, eu e ele... Será que eu tive minha primeira vez, e não conseguia me lembrar de nada? Droga! Mas como isso poderia acontecer?

 

Din Don.

 

Era ele, tinha certeza.

 

- Jane, precisamos conversar.

- Eu também acho.

- Por que saiu sem avisar?

- Eu não me lembro de nada. Só me lembro de ter acordado aqui em casa.

- Oh, pare de ceninhas! Você não gostou não é?

- Gostei... De que?

- Ah Jane, já é demais! Pensei que você fosse mais madura. Ainda mais depois de ontem. Pra sua primeira vez, você foi incrível, e agora me vem dizendo que não se lembra de nada. Tudo bem então. Vou nessa. Adeus senhorita amnésia!

- Josh, não!

 

Ele se foi. 

 

11 – Apenas um sonho –

 

 

- Jane acorda. Precisamos sair, já acabou nosso prazo.

- Josh? Você voltou! Desculpe-me, mas tudo o que disse é verdade!

- Do que está falando?

- De ontem.

- Jane, você sonhou.

 

 

Sonhei? Foi um sonho?

- Então a gente não... Bom tudo bem, vou me arrumar.

 

Que vergonha! E se eu digo em voz alta aquelas coisas!

 

Aquele sonho ficou na minha cabeça durante o dia todo. Por que eu sonharia com uma coisa dessas, e não me lembraria, digamos, da melhor parte?

 

- Josh, o que você sonhou hoje?

- Não me lembro. Por quê?

- E você já sonhou com uma coisa, e nesse sonho, você esquece o que você fez?

- Como assim?

- Tipo, você sonha que esta em casa, mas que dormiu na minha casa. Mas você não sabe que dormiu na minha casa.

- Ah, nunca sonhei com coisa desse tipo, mas já li sobre isso. Dizem que quando esquecemos alguma parte do sonho, quando temos “amnésia” é por que você espera que isso aconteça. Só que como você não se lembra, é como se tivesse um pouco de medo. Insegurança entende?

- Hum, entendo.

- E então, vai me dizer com o que você sonhou?

- Oh, foi uma coisa boba, melhor deixar pra lá.

- Ah que isso Jane, você sempre me conta.

- Foi com você.

- O que?

 

Fiquei quieta por um instante. Parecia que ele sabia o que era, mas queria minha confirmação.

 

- Não posso falar.

- Tudo bem então. Se precisar de algo, é só falar.

 

 

Então se o que ele disse, for verdade, eu estava com medo daquilo acontecer. Pois afinal, vamos passar cinco anos juntos, só eu e ele. Mas eu sei que ele não vai fazer nada que eu não queira. Ele, além de meu namorado, era meu melhor amigo.

 

Neste meio tempo, estive me lembrando das minhas outras paixões.

Uma vez, na oitava série, um ficante meu queria namorar comigo sério. Eu não estava preparada para isso. Ou talvez, não queria. Ele poderia ser o sonho de consumo de todas as garotas da escola, mas comigo era diferente. Eu não via nele, mais que um beijo gostoso, e um perfume caro. Ele não era inteligente, se achava o tal, mas era bonito.

Josh sempre fazia piadinhas sobre ele. Tipo: “Iai, pronta para sair com o bonequinho de porcelana? Ele deve ser muito divertido, não?

Ele sempre foi compreensivo comigo em relação aos meninos. Mas sempre me alertava.

 

Uma vez quando ele estava namorando a garota mais popular do bairro, Luciana, eu admito que fiquei com um pouco de ciúmes dele. Acho que desde essa época já via ele com outros olhos. Todos a achavam legal e simpática. Era ela muito gente boa sim, mas toda vez que via os dois juntos, me batia uma tristeza.

 

Mas agora, depois de dois anos, estamos juntos e felizes.

E, neste momento eu estava sentindo falta dos meus amigos. Eu não poderia ligar para eles, ou vê-los porque eu estava com eles.

Sentia falta de contar meus segredos à minha melhor amiga Gabriele. Como será que ela reagiria ao saber que estou com o Josh?

 

- Josh, não sei se vou agüentar ficar tanto tempo sem minha vida normal... Sinto falta de todo mundo.

Eu comecei a chorar. Ele me abraçou e disse que ia ficar tudo bem, que quando voltássemos, ia voltar tudo ao normal, e iríamos compensar todo esse tempo.

Isso pareceu me confortar um pouco. Mas era estranho.

- Mas e agora?

- Agora, finja que está em férias. Longas férias. Ao lado do seu querido, lindo, maravilhoso e único namorado! hahaha.

- Até parece que você é tudo isso!

- E não sou?

- Não! Hahaha

 

Ele saiu correndo atrás de mim pelo apê inteiro! E acabamos caindo na cama de cansaço.

Então, ele me abraçou e me deu aquele beijo!

Tinha me esquecido de como era bom. E me perguntava. “Até quando vai durar?”

 

 

 

12 – Desabafo

 

 

S

aímos do hotel, e fomos caminhando pelo parque. Tinha me esquecido de como Paris era lindo.

 

Sentamo-nos em um banco de frente à fonte.

- Josh, lembra de quando fazíamos piquenique e começávamos a contar os segredos? Era tão bom... Longe de todos. Um espaço só nosso.

- Então por que não fazemos isso agora?

- Agora?

- É! Vamos lá, comece.

- Ah, Bom...

Eu não tinha muita coisa para falar, ou pelo menos estava envergonhada. Minha vida agora era só ele. Como eu iria contar da minha vida com ele, para ele?

- Ah Josh, não tem muito que falar. Você já sabe o que acontece.

- Mas não sei o que você pensa.

- Pensar, ora, e por que se interessa?

- Vamos lá Jane, ainda somos amigos.

- Tudo bem. Vou te contar tudo. Mas quero que não dê opinião. Apenas escute.

- Sou uma parede! Hahaha

- Bem, vamos lá... Desde quando viemos pra cá, sinto que minha vida mudou. Eu agora penso diferente, sinto que cresci intelectualmente sabe. Você é como se fosse... Um anjo!

Você pensa o tempo todo em me proteger. Nunca pensei que pudesse ser tão bom pra mim. Você me fez realizar meu sonho, ser uma Designer famosa, no Canadá! Era tudo o que eu queria. E você fez isso.

E vou te contar, quando você me beijou, foi demais! Senti-me melhor do que nunca. Você é meu anjo Josh. Meu anjo.

 

Quando terminei de dizer todas essas palavras, senti meu coração sair pela boca. Com ele eu me sentia diferente. Eu sempre contava meus sentimentos pra ele. Era bom. Ele absorveu cada palavra minha. E então...

Não esperou mais nenhum segundo. Me puxou, e me beijou. E como sempre, eu me sentia melhor ainda. Mas desta vez, senti algo diferente. Um calor dentro de mim. Acho que ele percebeu, ou então sentiu o mesmo, e parou.

- Nós temos o tempo necessário para nos descobrirmos. É bom ter você ao meu lado. Eu te amo Jane.

 

Bom, chega de melação e esse amor de novela.

 

 

 

13 – Inglaterra –